{"id":228,"date":"2024-04-30T22:27:27","date_gmt":"2024-04-30T22:27:27","guid":{"rendered":"https:\/\/aracati.net\/v3\/?p=228"},"modified":"2024-04-30T22:27:28","modified_gmt":"2024-04-30T22:27:28","slug":"breves-apontamentos-sobre-a-historia-da-matriz-de-aracati","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aracati.net\/v3\/breves-apontamentos-sobre-a-historia-da-matriz-de-aracati\/","title":{"rendered":"Breves apontamentos sobre a hist\u00f3ria da matriz de Aracati"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao comemorar o 1\u00ba. Centen\u00e1rio de nossa cidade, julg\u00e1mos oportuno levar ao conhecimento do p\u00fablico a curiosa hist\u00f3ria da Matriz de N. S. do Ros\u00e1rio de Aracati, que teve come\u00e7o no ano de 1.714 Os apontamentos que se seguem foram escritos por Lu\u00edz C\u00e2ndido Ferreira Chaves e se cont\u00eam num dos livros da&nbsp; tradicional Irmandade do S. S. Sacramento, sediada nesta cidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Estampamos a seguir, conforme o original, a interessante narrativa de Lu\u00edz C\u00e2ndido Ferreira Chaves, escrita em agosto de 1.865, e oferecida \u00e1 Irmandade do S. S. Sacramento, da qual fazia parte o referido autor.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;\u201cEsbo\u00e7ando aqui a hist\u00f3ria que se segue da nossa matriz isto \u00e9, da sua funda\u00e7\u00e3o at\u00e9 hoje (1865) daquilo mais saliente e \u00fatil para conhecimento dos presentes e futuros, que meus esfor\u00e7os e fadigas puderam colher em diversos lugares onde existiam livros que passaram a pertencer \u00e0s antigas cabe\u00e7as de Comarca, curados, sede da nossa matriz, Aquiraz, S\u00e3o Bernardo, Rio Grande do Norte, Capital da prov\u00edncia, entendi, que descrevendo tudo quanto aqui vou dizer, fa\u00e7o um servi\u00e7o important\u00edssimo, como \u00fatil a nossa Irmandade, oferecendo-o para mem\u00f3ria, j\u00e1 que outros o n\u00e3o fizeram. Talvez que, para o futuro, seja este meu trabalho escarnecido e mere\u00e7a acres censuras; seja como for; se algu\u00e9m aprov\u00e1-lo continue depois que eu deixar de existir, e pela negativa deixe ir a esmo. Disse.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em Maio de 1714, foi constru\u00edda uma pequena capela ou casa de ora\u00e7\u00e3o coberta de palha, com frente de tijolo, e paredes de taipa; no mesmo lugar em que est\u00e1 a matriz colocada e isso pelos charqueadores de carnes que vinham da ba\u00eda e Pernambuco, aonde celebravam missas os padres que vinham de S\u00e3o Bernardo, tendo a invoca\u00e7\u00e3o de N. S. do Ros\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em Novembro de 1719, foi essa capela coberta de telha pelos mesmos charqueadores, trazendo a telha da Ba\u00eda, fazendo os mesmos devastar o aluvi\u00e3o de carnaubeiras e inariseiras que tinham em derredor da igrejinha.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 1.728, acrescentaram rios mesmos charqueadores a capela, que as formigas, o cupim, as enchentes do rio tinham deteriorado; neste mesmo ano foram ofertadas por diversos devotos algumas coisas de prata [&#8230;] \u00e1s mais imagens que foram colocadas na mesma igreja [&#8230;]<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 1736, achando-se a mesma capela [&#8230;] das formigas e reiteradas enchentes do rio, sofreu grandes reparos no seu [&#8230;]<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 1.747, o padre Jos\u00e9 Lopes de Lima administrou o servi\u00e7o de olarias de tijolos e telhas, a fim de se erigir uma outra capela em [&#8230;] maior, e deu come\u00e7o aos alicerces, levantando as paredes at\u00e9 certo ponto: ficou paralisada a obra por bastante tempo e afinal desabou tudo pelas rigorosas invernadas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 1.761, o capit\u00e3o-mor Jos\u00e9 Pimenta de Aguiar (Pardo), administrador e fundador desta Matriz , co aqueles mat\u00e9rias erigiu de novo a dita Matiz no ponto e posto em que se acha, demolindo tudo quanto estava feito pelo citado padre Lima. N\u00e3o teve, por\u00e9m, a gl\u00f3ria de concluir a obra, por falecer logo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 1.769, o capit\u00e3o Manuel Rodrigues da Silva foi o \u00faltimo administrador da conclus\u00e3o da Matriz at\u00e9 o seu cobrimento, ofertando ele \u00e1 Matriz as imagens de S\u00e3o Vicente, S\u00e3o Francisco e N. S. da Boa Viagem. Fez ele uma especial sepultura de carneiro, que se v\u00ea na capela-mor, abaixo dos degraus de pedra, lado do nascente, a-fim-de ser sepultado nela \u2013 previl\u00e9gio como \u00faltimo administrador; por\u00e9m morrendo fora daqui conservou-se esse carneiro intacto at\u00e9 que nele foi sepultado o Vig\u00e1rio colado Joaquim de Paula Galv\u00e3o, em 1847.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 1.773, fizeram a sacristia do lado nascente,m que at\u00e9 ent\u00e3o n\u00e3o havia, mandando se vir da ba\u00eda pedras e madeiras com que foram feitas as portas e portais da matriz, concluindo-se algumas obras do interior.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 1.779, foi elevada a categoria de Matriz, desanexando-se de todo da Matriz de S\u00e3o Bernardo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 1.780, o bispo de Pernambuco, D. Tomaz da Incarna\u00e7\u00e3o deu previs\u00e3o de 20 de Junho, criando a freguezia de Aracat\u00ed de N. S. do Ros\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 1.785, foi rebocada toda a Matriz interiormente e no ano seguinte exteriormente, visto como at\u00e9 ent\u00e3o eram suas paredes conservadas em preto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 1788, deu-se a ere\u00e7\u00e3o da parte da torre do lado do nascente conservando-se esta tamb\u00e9m por muit\u00edssimos anos sem se rebocar, o que se fez, quando foi a Matriz reformada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 1.789, criou-se a Irmandade das Almas, que caducou em 1.837.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em fins de 1.791, principio de 1.792, foi de novo coberta toda a matriz, por outro modelo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 1803, veiu para a Matriz o sino pequeno da capela do glorioso S\u00e3o Jos\u00e9, por ter siso demolida a capela do mesmo Santo, a segunda erecta no c\u00f3rrego denominado S\u00e3o Jos\u00e9 assim como muita madeira que foi comprada da mesma capela, para os servi\u00e7o do consist\u00f3rio do lado do poente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 1813, tendo sido demolida estupidamente a pequena capelinha se S\u00e3o Gon\u00e7alo, onde tem casa Francisco de Paula Martins, no beco da feira nova, foram transladadas para a matriz as imagens de S\u00e3o Gon\u00e7alo, Santo Amaro, altares e demais objetos da dita capela.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 1814, veiu de Pernambuco a entalha da capela-mor, custando 620$000 a qual foi colocada pelo carpina Correira de S\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 1816, em 26 de Outubro, foi a Matriz de N. S. do ros\u00e1rio transferida para a Irmandade do S. S. Sacramento, por escritura p\u00fablica, com os seus bens e alfaias, estipulados por certos homens, como se v\u00ea pelo termo de compromisso feito pela institui\u00e7\u00e3o da mesma Irmandade, ficando por conseguinte extintas as irmandades do S. Bom Jes\u00fas dos Passos e a da mesma Padroeira, persistindo s\u00f3mente a do S. S. Sacramento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;Em 1817, teve princ\u00edpio o consist\u00f3rio e a sacristia do lado do poente, e s\u00f3 em 1819 foi ultimada a obra, ficando por conseguinte servindo esta para a Irmandade do S. sacramento, e a velha, do nascente, para a f\u00e1brica ou servi\u00e7os do Vig\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 1818, foi dourado o sacr\u00e1rio e os dois ninchos do altar-mor, colocando-se em um a padroeira (N. S. do Ros\u00e1rio) e em outro S\u00e3o Vicente. Nesse mesmo ano, veiu o Pernambuco o S. Bom Jes\u00fas, substituindo o de vulto pequeno que foi trocado para a capela de Sucatinga.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 1819, conclu\u00edda a obra do consist\u00f3rio, veiu nessa mesma ocasi\u00e3o de Lisboa, o S. Bom Jes\u00fas Morto, mandado vir pelo Capit\u00e3o-mor Jo\u00e3o da Silva Muniz, o Sargento mor Costa Barros e outros irm\u00e3os da Irmandade do S. Sacramento. Nesse mesmo ano, foi mandado forrar, pela Irmandade do Sacramento, de t\u00e1boa o teto da capela more, logo depois de conclu\u00edda a obra, passou-se o sacr\u00e1rio para a capela mor, visto como estava at\u00e9 o forro ent\u00e3o no altar da Concei\u00e7\u00e3o por causa da obra da entalha e mesmo dado o forro do teto. Ainda nesse ano, a Irmandade mandou vir da Ba\u00eda uma imagem de N. S. da Concei\u00e7\u00e3o, e de Lisboa, as lanternas de prata.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 1820, foi feito o altar das almas, conservando-se por pintar e dourar at\u00e9 1844, e em 1845, foi mandado dourar pela irm\u00e3 D. rosa Pacheco, senhora de Domingos Jos\u00e9 Pereira Pacheco.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 1821, foram postas as duas tribunas da capela mor pelos irm\u00e3os Capit\u00e3o-mor Manuel Louren\u00e7o da Silva e Capit\u00e3o Jos\u00e9 da costa Silva, com a prerrogativa de servirem somente para as suas fam\u00edlias enquanto eles vivessem, por terem eles feito todas as despesas. Nesse mesmo ano, caiu o cruzeiro, desabando todo o pedestal, sendo mister erigir-se todo de novo e por melhor gosto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 1824, \u00e0 noite, quando de volta da prociss\u00e3o dos Passos e que faziam-se as cerim\u00f4nias na igreja, um grande tuf\u00e3o de vento apareceu com t\u00e3o medonho estrondo que fez voar grande por\u00e7\u00e3o de telhas ao longe, ou [&#8230;] ou povo arrojando para fora da [&#8230;] ca\u00edssem uns sobre os [&#8230;] a fazer horrer, ficando desta arte muitas pessoas com confusas, [&#8230;] de reparo no dito telhado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 1826 foi roubada a l\u00e2mpada de prata, que dificilmente foi encontrada intacta \u00e1 porta da sacristia velha do poente. Nesse mesmo ano, a Irmandade, por desgosto e despeitada, faz entrega de confraria e bens ao Juiz Comiss\u00e1rio e de ausentes, para manda-la por sos uma administra\u00e7\u00e3o; e por isso mereceu acres censuras no provimento de correi\u00e7\u00e3o, como se v\u00ea no livro das atas, folha 18; voltando tudo depois aos princ\u00edpios primitivos continuou a funcionar a nova Irmandade eleita. Nesse mesmo ano houve diverg\u00eancias da Irmandade com o Vig\u00e1rio encomendado Carlos Manuel de Saboia por querer este expelir da matriz o Vag\u00e1rio colado Felix Ant\u00f4nio de Gusm\u00e3o melo, chegando a ponto de mandar este tocar rebate ao sino, dando assim lugar a que o povo se amotinasse em favor do vig\u00e1rio colado, originando-se disso certos conflitos aos quais a Irmandade n\u00e3o pode retorquir. Uma Irmandade de homens mais circunspectos levou o caso avante , e deu lugar a que o bispo de Pernambuco tomasse provid\u00eancias(vede o livro das atas, fl. 23). At\u00e9 esse tempo (1826) fazia se o custeio da Matriz por cada uma das irmandades, isto \u00e9: a do senhor dos Passos, relativamente ao altar de S. Miguel; a de N. S. do Ros\u00e1rio quanto ao altar da dita senhora, e a do S. Sacramento quanto ao altar mor, e logo que se anexaram segundo as escrituras p\u00fablicas, correu o custeio dos mais altares por conta da f\u00e1brica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 1827, por Helena de tal foram ofertadas diversas imagens \u00e0 Irmandade, como: S\u00e3o Miguel da paci\u00eancia, Santa Ana e por Irene de tal as imagens de Jesus, Maria e Jos\u00e9; e pela senhora de Jo\u00e3o Dias Muniz um ros\u00e1rio de ouro a N. S. do Ros\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nesse mesmo ano, a Irmandade mandou vir do Rio do peixe a c\u00f3pia do compromisso de l\u00e1, para formular o seu, sendo posto em execu\u00e7\u00e3o em 1832, pois com esse lapso de tempo urgia a Irmandade ter outro, visto as mudan\u00e7as do tempo, das cousas e das intelig\u00eancias dos homens, por isso que h\u00e1 anos tratava de uma reforma radical do mesmo, sem que houvesse \u00eaxito.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 1.829, foi doada pelo irm\u00e3o Francisco Jos\u00e9 da Costa Barros uma imagem do Senhor crucificado, e de marfim, sob condi\u00e7\u00e3o de n\u00e3o ser alheiada nem emprestada; do contr\u00e1rio estaria, ipso factro sem efeito a dita doa\u00e7\u00e3o, voltando a imagem aos herdeiros de F. Jos\u00e9 da Costa Barros. O tesoureiro&nbsp; Jo\u00e3o Francisco ramos, porem, prescindindo do estipulado no termo de doa\u00e7\u00e3o, deu a referida imagem na estima de 50$000, a Vicente Jos\u00e9 Zaranza, por ato da Semana Santa, em 1852, pelo que os herdeiros de Costa Barros trataram de reivindicar o dom\u00ednio da dita imagem. Em 1875, por ocasi\u00e3o da correi\u00e7\u00e3o que fez o Juiz de Direito Francisco de Assiz Oliveira Maciel, fez com que a imagem voltasse para a Matriz.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 1.829 e 830, edificou a Irmandade tr\u00eas casas t\u00e9rreas \u00e1 Rua que lhe deu o nome \u2013 R. do Sacramento \u2013 e comprou outra \u00e1 Rua da Cadeia. Em 1.851, a Irmandade, para pagar o que devia aos herdeiros do finado Domingos Jos\u00e9 Pereira Pacheco, fez arrematar essas propriedades para a solu\u00e7\u00e3o da d\u00edvida, assim mais uma por\u00e7\u00e3o de gado e ovelhas que tinha na fazendo do Palhano. Lamenta-se verificando-se os livros de receita e despesa, a maneira como foram consumidas consider\u00e1veis somas que tinha a Irmandade em saldo, em pompas e festas da Semana&nbsp; Santa, por que ent\u00e3o n\u00e3o se usava subscri\u00e7\u00e3o entre os habitantes. Tempos depois foram essas festas feitas entre Irmandade regedora e fi\u00e9is.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">FONTE: O JAGUARIBE<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">DATA: DOMINGO, 25 DE OUTUBRO DE 1942.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">p. 9.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ao comemorar o 1\u00ba. Centen\u00e1rio de nossa cidade, julg\u00e1mos oportuno levar ao conhecimento do p\u00fablico a curiosa hist\u00f3ria da Matriz de N. 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