{"id":466,"date":"2024-05-30T12:46:48","date_gmt":"2024-05-30T12:46:48","guid":{"rendered":"https:\/\/aracati.net\/v3\/?p=466"},"modified":"2024-05-30T12:46:49","modified_gmt":"2024-05-30T12:46:49","slug":"emilia-freitas-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aracati.net\/v3\/emilia-freitas-2\/","title":{"rendered":"Em\u00edlia Freitas"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Em\u00edlia Freitas<\/strong> nasceu em Aracati (CE), em 11 de janeiro de 1855, filha do Tenente Coronel Ant\u00f4nio Jos\u00e9 de Freitas e de Maria de Jesus Freitas. Com o falecimento do pai, em 1869, a fam\u00edlia se transferiu para Fortaleza, onde a menina Em\u00edlia p\u00f4de estudar franc\u00eas, ingl\u00eas, geografia e aritm\u00e9tica, numa conceituada escola particular e, mais tarde, freq\u00fcentar a Escola Normal.<br><br>Desde 1873, Em\u00edlia Freitas colaborava em diversos jornais liter\u00e1rios, como Libertador, Cearense, O Lyrio e A Brisa, de Fortaleza, e o Amazonas Commercial e Revolu\u00e7\u00e3o, de Bel\u00e9m do Par\u00e1. Muitas das poesias ent\u00e3o publicadas foram depois reunidas no volume intitulado Can\u00e7\u00f5es do Lar (1891) e que trazia uma curiosa introdu\u00e7\u00e3o dirigida &#8220;Aos censores&#8221;.<br><br>Em 1892, ap\u00f3s a morte da m\u00e3e, mudou-se para Manaus em companhia de um irm\u00e3o, onde exerceu o magist\u00e9rio no Instituto Benjamin Constant, destinado \u00e0 instru\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria e secund\u00e1ria de meninos. Em 1900, casou-se e retornou ao Cear\u00e1 com o marido, o jornalista Ant\u00f4nio Vieira, redator do Jornal de Fortaleza.<br><br>Antes, em Fortaleza, havia participado ativamente da &#8220;Sociedade das Cearenses Libertadoras&#8221;, de car\u00e1ter abolicionista. Na sess\u00e3o solene de instala\u00e7\u00e3o dessa Sociedade, inclusive, em 1883, Em\u00edlia Freitas ocupou a tribuna com um vibrante discurso que foi muito aplaudido, segundo not\u00edcias encontradas em jornais. Apesar de ser uma escritora respeitada nos meios liter\u00e1rios da cidade, ela inicia o discurso justificando a ousadia de falar em p\u00fablico, que, no seu caso, (e no de outras intelectuais da \u00e9poca) soa como uma formalidade necess\u00e1ria para justificar o rompimento dos padr\u00f5es sociais de comportamento, ent\u00e3o estabelecidos para as mulheres.<br><br>Antes de manifestar as minhas id\u00e9ias, pe\u00e7o desculpa \u00e0 ilustre Sociedade Cearense Libertadora para aquela que, sem t\u00edtulos ou conhecimentos que a recomendem, vem felicit\u00e1-la pela primeira vit\u00f3ria alcan\u00e7ada na ditosa vila do Acarape.<br><br>Depois imploro ainda permiss\u00e3o para, \u00e0 sombra de sua imortal bandeira, aliar os meus esfor\u00e7os aos dessas distintas e humanit\u00e1rias senhoras, oferecendo-lhes com sinceridade os \u00fanicos meios de que disponho: os meus servi\u00e7os e minha pena que, sem ser h\u00e1bil, \u00e9 em compensa\u00e7\u00e3o guiada pelo poder da vontade. [&#8230;&#8230;]<br><br>As flores de nossos prados querem expulsar de seu solo esse monstro detest\u00e1vel [a escravid\u00e3o] que em nossa p\u00e1tria querida infamava e enegrecia as risonhas cenas da natureza! [&#8230;&#8230;]<br><br>Seja o pr\u00eamio de nossos esfor\u00e7os, vermos em breve os nossos caros patr\u00edcios voltarem do campo da a\u00e7\u00e3o, coroados de louros, agitando triunfantes o pend\u00e3o da Liberdade!<br><br>Em 1899, a escritora publicou seu principal livro, A Rainha do Ignoto, a que deu o curioso subt\u00edtulo de &#8220;romance psicol\u00f3gico&#8221;. Tal subt\u00edtulo, com certeza se imp\u00f4s pelo fato da autora ter consci\u00eancia das novidades que ele continha e que o distinguia dos demais de seu tempo. Trata-se, no caso, de uma trama novelesca absolutamente inusitada, com ousados tra\u00e7os ficcionais, que deve ser considerada entre as pioneiras do g\u00eanero fant\u00e1stico, no Brasil. A dedicat\u00f3ria, inclusive, pode ser lida quase como uma profiss\u00e3o de f\u00e9 e de modernidade para a \u00e9poca, al\u00e9m de conter algumas indica\u00e7\u00f5es da opini\u00e3o da autora acerca dos escritores contempor\u00e2neos e da consci\u00eancia autoral da originalidade de seu trabalho.<br><br>[&#8230;&#8230;] Meu livro n\u00e3o tem padrinho, assim como n\u00e3o teve molde. Tem a fei\u00e7\u00e3o que lhe \u00e9 pr\u00f3pria, sem atavios emprestados do pedantismo charlat\u00e3o. N\u00e3o \u00e9, tampouco, o conjunto das impress\u00f5es recebidas nos sal\u00f5es, nos jardins, nos teatros e nas ruas das grandes cidades, porque foi escrito na solid\u00e3o absoluta das margens do Rio Negro, entre paredes desguarnecidas duma escola de sub\u00farbio. \u00c9, antes, a cogita\u00e7\u00e3o \u00edntima dum esp\u00edrito observador e concentrado que (dentro dos limites de sua ignor\u00e2ncia) procurou numa cole\u00e7\u00e3o de fatos triviais estudar a alma da mulher, sempre sens\u00edvel e muitas vezes fantasiosa. [&#8230;&#8230;].<br><br>Em\u00edlia Freitas consegue com muita habilidade acomodar o fant\u00e1stico num plano de regionalidade, e faz em seu romance uma s\u00e9rie de incurs\u00f5es pelo imagin\u00e1rio, do palp\u00e1vel ao mais inveross\u00edmil. Utilizando-se de t\u00e9cnicas narrativas bem modernas para a \u00e9poca, o clima fant\u00e1stico se instaura no enredo e assume, naturalmente, o predom\u00ednio da atmosfera, ora com ingredientes de um fant\u00e1stico medievo, ora lembrando narrativas inglesas de terror, transportando magicamente o leitor e a leitora de um para o outro extremo, at\u00e9 o final, surpreendente.<br><br>Em 18 de outubro de 1908, Em\u00edlia Freitas faleceu em Manaus, para onde havia retornado ap\u00f3s a morte do marido.<br><br>Obra:<br><br>Can\u00e7\u00f5es do Lar. Poesias. Fortaleza: Tipografia Rio Branco, 1891. 310p.<br><br>A Rainha do Ignoto. Romance Psicol\u00f3gico. Fortaleza: Tipografia Universal, 1899. 456 p.<br><br>O Renegado. Romance. Fortaleza: [s.n.].s\/d.<br><br>Publica\u00e7\u00e3o p\u00f3stuma<br><br>A Rainha do Ignoto. Romance Psicol\u00f3gico. Pesquisa, organiza\u00e7\u00e3o, atualiza\u00e7\u00e3o ortogr\u00e1fica, apresenta\u00e7\u00e3o cr\u00edtica e notas por Otac\u00edlio Colares. Fortaleza: Secretaria de Cultura e Desporto, Imprensa Oficial do Cear\u00e1, 1980. 363 p.<br><br>Bibliografia Sobre a Autora:<br><br>COLARES, Otac\u00edlio. &#8220;Apresenta\u00e7\u00e3o cr\u00edtica e notas&#8221;. In FREITAS, Em\u00edlia. A Rainha do Ignoto. Romance psicol\u00f3gico. 2a ed. Fortaleza: Secretaria de Cultura e Desporto, Imprensa Oficial do Cear\u00e1, 1980.<br><br>_____. Lembrados e esquecidos. III. Fortaleza: Imprensa Universit\u00e1ria do Cear\u00e1, 1977.<br><br>CUNHA, Maryse Weine. &#8220;Em\u00edlia de Freitas&#8221;. In Mulheres do Brasil. V.3. Fortaleza: Secretaria de Cultura e Desporto, 1986. P. 281-316.<br><br>MONTENEGRO, Abelardo F. O romance cearense. Fortaleza: [s.n.], 1953.<br><br>Fonte: http:\/\/www.amulhernaliteratura.ufsc.br\/catalogo\/emilia_vida.html. Em 30 de mar\u00e7o de 2008. Verbete organizado por Const\u00e2ncia Lima Duarte.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em\u00edlia Freitas nasceu em Aracati (CE), em 11 de janeiro de 1855, filha do Tenente Coronel Ant\u00f4nio Jos\u00e9 de Freitas e de Maria de Jesus Freitas. 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