{"id":490,"date":"2024-05-30T13:10:08","date_gmt":"2024-05-30T13:10:08","guid":{"rendered":"https:\/\/aracati.net\/v3\/?p=490"},"modified":"2024-05-30T13:10:09","modified_gmt":"2024-05-30T13:10:09","slug":"jacques-klein-o-pianista-do-som-dourado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aracati.net\/v3\/jacques-klein-o-pianista-do-som-dourado\/","title":{"rendered":"Jacques Klein, o pianista do som dourado"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Considerado um dos dez maiores pianistas eruditos do Brasil em todos os tempos, Jacques Klein por pouco n\u00e3o abandonou a m\u00fasica de concerto definitivamente para dedicar-se ao jazz. Mas, reverenciado como um dos maiores de seu tempo, fosse em recitais solo ou acompanhado, seu perfeccionismo t\u00e9cnico, aliado \u00e0 grande sensibilidade, conquistou plateias no mundo todo e um lugar no pante\u00e3o dos grandes m\u00fasicos do Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Continue a leitura e conhe\u00e7a a hist\u00f3ria desse pianista do som dourado!<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Quem foi Jacques Klein<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Jacques Klein nasceu em Aracati, no Estado do Cear\u00e1, em 10 de julho de 1930 em fam\u00edlia de judeus. O av\u00f4, de quem herdou o nome, estabeleceu-se ali por volta de 1870, atuando no com\u00e9rcio de algod\u00e3o. Por est\u00edmulo de seu pai \u2013 Alberto Klein, pianista amador -, iniciou seus estudos ainda crian\u00e7a depois que foi flagrado aos 5 anos tocando, de ouvido, uma marchinha de Lamartine Babo que a irm\u00e3 mais velha, Jacqueline, havia acabado de tocar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Rela\u00e7\u00e3o do piano com sua inf\u00e2ncia<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 1936, a fam\u00edlia se mudou para Fortaleza, onde Jacques foi matriculado no curso de piano no Conservat\u00f3rio Alberto Nepomuceno \u2013 do qual Alberto Klein foi um dos fundadores \u2013 tendo aulas com a professora Julieta Araripe. Aos seis anos, j\u00e1 tinha em seu repert\u00f3rio obras de diversos compositores e o apresentava para importantes pianistas em passagem pela cidade, como Guiomar Novaes, Nikolai Orloff e Ignaz Friedman.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tr\u00eas anos depois, em 1940, a fam\u00edlia foi para o Rio de Janeiro e, com apenas nove anos, Jacques ficou em primeiro lugar em concurso no Conservat\u00f3rio Brasileiro de M\u00fasica, vindo a estudar com Liddy Chiaffarelli Mignone de 1940 a 1943.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Afastando-se temporariamente dos estudos eruditos, aos 13 anos de idade, passou a se dedicar exclusivamente \u00e0 m\u00fasica popular, organizando, em 1946, um trio de jazz juntamente com Dinarte Rodrigues (guitarra) e Breno Porto (bateria), que se apresentava semanalmente na R\u00e1dio Jornal do Brasil.<br>Come\u00e7o de carreira<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Chegou a cogitar a carreira de diplomata e, aos 18 anos, passou no vestibular de Direito da PUC do Rio de Janeiro. O retorno ao piano erudito ocorreu depois de Jacques ouvir o \u201c2\u00ba Concerto para Piano e Orquestra\u201d de Rachmaninoff em um filme \u2013 provavelmente \u201cBrief Encounter\u201d (Desencanto), de 1945, ou \u201cI\u2019ve Always Loved You\u201d (Sempre te amei), de 1946, com dublagem musical de Arthur Rubinstein.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Resolveu tocar a m\u00fasica, que n\u00e3o lhe sa\u00eda da cabe\u00e7a, e a aprendeu de ouvido, pois n\u00e3o tinha mais pr\u00e1tica de ler partituras. Retomou os estudos de piano erudito, passando a ter aulas particulares com Aloysio de Alencar Pinto, Ophelia do Nascimento, Oscar Adler e L\u00facia Branco.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mudou-se para Nova York, por sugest\u00e3o de Guiomar Novaes, para ter aulas com Isidor Philipp, mas n\u00e3o se identificou com o professor e voltou ao Brasil para se dedicar \u00e0 carreira diplom\u00e1tica. Seis meses depois, em um acesso de f\u00faria, jogou fora toda a papelada do concurso, dizendo para a m\u00e3e: \u201cQuero ser pianista!\u201d. Retornou \u00e0 Nova York para estudar com o pianista americano William Kapell, por indica\u00e7\u00e3o de Aloysio de Alencar Pinto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Consta que, na \u00e9poca, durante uma jam session no clube Cafe Society, tocou para o lend\u00e1rio jazzista Art Tatum, quando o pianista Billy Taylor convidou Jacques para subir ao palco. Klein interpretou o choro \u201cTico-Tico no Fub\u00e1\u201d, de Zequinha de Abreu, e o standard de jazz \u201cHow High The Moon\u201d, causando grande impress\u00e3o, que chegou a ser registrada na imprensa local. Conta a lenda que Tatum o convidou para fazer parte de seu grupo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Carreira internacional<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 1952, por influ\u00eancia de Friedrich Gulda, com quem manteve um duo, Klein foi para Viena, na \u00c1ustria, para se aperfei\u00e7oar com Bruno Seidlhofer na Academia de M\u00fasica de Viena. Ap\u00f3s oito meses de estudo, classificou-se em segundo lugar no Concurso Internacional de Piano, em Munique, na Alemanha, e, em setembro de 1953, venceu por unanimidade o Concurso Internacional de M\u00fasica de Genebra, na Su\u00ed\u00e7a, competindo com 114 concorrentes de 33 pa\u00edses.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Considerado o mais importante e disputado da \u00e9poca, o certame n\u00e3o concedia o primeiro lugar a ningu\u00e9m desde 1949 (de 1946 a 1953, o concurso anual conferiu o primeiro pr\u00eamio a apenas tr\u00eas m\u00fasicos), catapultando o cearense \u00e0 nata de estrelas da m\u00fasica mundial.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">At\u00e9 ent\u00e3o, Jacques jamais havia tocado um concerto em p\u00fablico, e, a partir daquele momento, passou a desenvolver uma expressiva carreira internacional. Estreou em 1954 com a Filarm\u00f4nica de Londres e recebeu in\u00fameros pr\u00eamios e medalhas. No mesmo ano, gravou ao piano, o samba \u201cDora\u201d, de Dorival Caymmi e o samba can\u00e7\u00e3o \u201cNesta rua t\u00e3o deserta\u201d, de sua parceria com Dorival Caymmi, Carlos Guinle e Hugo Lima, revisitando sua veia popular, algo que fazia frequentemente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Apesar do pouco tempo em que viveu em sua cidade natal, nas entrevistas sempre se apresentava como \u201cJacques Klein, from Aracati (de Aracati)\u201d. No ano seguinte, 1955, foi eleito o melhor pianista do ano, em Londres, recebendo a Medalha Harriet Cohen.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Passou a se apresentar com in\u00fameras importantes orquestras, como as Filarm\u00f4nicas de Berlim e de Londres, a Nacional de Paris, a Santa Cec\u00edlia de Roma, Nova York, as Sinf\u00f4nicas de Viena, Hannover e Chicago, e a Orquestra Sinf\u00f4nica Brasileira, entre outras. Em 1956, apresentou-se a dois pianos com Friedrich Gulda no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, interpretando obras de Mozart, Schubert, Camargo Guarnieri, Ravel e Brahms.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sua estreia nos Estados Unidos foi em 1959 no Carnegie Hall, interpretando o \u201c3\u00ba Concerto para Piano e Orquestra\u201d de Rachmaninoff, sob reg\u00eancia de Eleazar de Carvalho, sendo aclamado pela cr\u00edtica, que por vezes chegou a compar\u00e1-lo a Vladimir Horowitz e a Arthur Rubinstein.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 1970, por ocasi\u00e3o das comemora\u00e7\u00f5es do bicenten\u00e1rio de Beethoven, executou o ciclo completo das 32 sonatas em Londres, Amsterd\u00e3, Frankfurt e Rio de Janeiro (Sala Cec\u00edlia Meireles). Tamb\u00e9m possu\u00eda grande afinidade com as obras de Mozart, cujas sonatas e concertos para piano interpretava com frequ\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A partir da d\u00e9cada de 1970, foi duas vezes diretor da Sala Cec\u00edlia Meireles e um dos diretores da Orquestra Sinf\u00f4nica Brasileira. Como camerista, integrou o Trio Continental juntamente com Cussy de Almeida (violino) e Peter Dauelsberg (violoncelo), al\u00e9m de se apresentar em diversos pa\u00edses com o violinista italiano Salvatore Accardo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Lecionou na Escola de M\u00fasica da UFRJ (no programa de mestrado), no Conservat\u00f3rio Brasileiro de M\u00fasica, e na Universidade de Miami (EUA). Entre seus diversos alunos, destacam-se Arnaldo Cohen, Edson Elias, Egberto Gismonti, Luiz E\u00e7a, Jo\u00e3o Carlos Martins e Jo\u00e3o Carlos Assis Brasil, entre muitos outros.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Apesar da carreira na m\u00fasica erudita, nunca deixou a m\u00fasica popular, gravando ao piano composi\u00e7\u00f5es de nomes como os brasileiros Ary Barroso, Dorival Caymmi e Zequinha de Abreu, al\u00e9m de standards de jazz e obras de George Gershwin.<br><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Sua morte<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Jacques Klein morreu prematuramente, aos 52 anos, em 24 de outubro de 1982, no Rio de Janeiro, vitimado pelo c\u00e2ncer. Seu \u00faltimo concerto ocorreu no dia 27 de setembro do mesmo ano, interpretando o \u201cConcerto para Piano e Orquestra em R\u00e9 Maior\u201d de Haydn, com a Orquestra de C\u00e2mara de Moscou, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Klein era um pianista extremamente admirado por conta de sua sonoridade por vezes definida como \u201cdourada\u201d. M\u00fasico erudito e de jazz, teve carreira docente respeitada e gravou in\u00fameras obras de m\u00fasica popular, incluindo sambas, provando que a distin\u00e7\u00e3o entre os g\u00eaneros \u00e9 mera formalidade. A dualidade entre seu temperamento expansivo e bem-humorado e sua disciplina e dedica\u00e7\u00e3o lhe imprimiam uma personalidade extremamente rica, assim como sua m\u00fasica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Fonte: <a href=\"https:\/\/blog.fritzdobbert.com.br\/pianistas\/jacques-klein\/#\">https:\/\/blog.fritzdobbert.com.br\/pianistas\/jacques-klein\/#<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Considerado um dos dez maiores pianistas eruditos do Brasil em todos os tempos, Jacques Klein por pouco n\u00e3o abandonou a m\u00fasica de concerto definitivamente para dedicar-se ao jazz. 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